Reflexões do Livro: Qual é a tua Obra de Mário Sérgio Cortella

Parte I

Para os amantes da leitura todo o livro possui uma “anatomia”. São as partes que o compõe e que trazem consigo importantes informações para que o leitor de fato, entenda do que se trata o título e então decidir por lê-lo.

Como esse é nosso primeiro artigo de livros, aqui vai uma dica: leia a “primeira orelha”. Nela você terá as informações para entender do que se trata e o que esperar da “obra”.

Desta forma percebemos que na “primeira orelha” desta literatura, Cortella já nos traz algumas inquietações e que nos instigam e nos levam a leitura:

“Qual é a tua obra? O que você sente ao ouvir esta pergunta, apresentada aqui? Você se sente confortável e satisfeito quando pensa na sua obra? Ou se sente inquieto e um tanto quanto desconfortável? Se estiver no primeiro grupo, preocupe-se, mas se estiver no segundo grupo, anime-se!”

Não espere respostas prontas deste livro, afinal somos mais de 7 bilhões de habitantes no mundo e portanto, infinitas possibilidades.

Como o próprio subtítulo diz, são inquietações propositivas que te auxiliam no processo de decisão do que quer da vida, das relações humanas, do trabalho…

O mais interessante é que quase quatorze anos depois do lançamento, o tema é atual e neste momento de pandemia que estamos vivendo, nunca fez tanto sentido refletirmos sobre a vida, as razões da existência e “as nossas obras”.

Muitos de nós antes desse período estávamos (e ainda continuamos) vivendo de forma automática e robótica, sem se perguntar: Porque fazemos o que fazemos? Qual o sentido das coisas que fazemos? E quando Cortella fala de sentido, além do significado filosófico da palavra, fala também de direção.

O livro está dividido em três partes e nesse artigo abordaremos a primeira sobre Gestão.

“Em busca de Sentido”

Mesmo agora, em meio à crise sanitária, aonde não podemos praticamente sair de casa e teoricamente não temos tantas interações físicas como antes, você tem a ansiedade que chegue logo a sexta-feira, mais precisamente a sexta-feira ao final do dia?

Acredita que as atividades diárias do seu trabalho são somente uma obrigação e que não é possível atrelar felicidade com o que faz? Têm a “síndrome do fantástico” e quando deita a cabeça no travesseiro já sofre por que está chegando segunda-feira?

Pois bem, na primeira parte do livro é relatado como o trabalho ainda é visto como uma forma de castigo e que devemos mudar nosso pensamento e entender que ao realizar um trabalho estamos realizando uma obra.

Traz consigo a importância de buscar um sentido nas coisas que realizamos unindo a espiritualidade e o mundo corporativo.

“Enxergar um significado maior na vida aproxima o tema da espiritualidade do mundo do trabalho”.

Quando Cortella relata de espiritualidade não faz menção à religião ou algo místico, mas sim a capacidade de olhar que as coisas não são somente aquilo que se executa e que tudo o que fazemos tem um propósito, um sentido.

É importante se ver e se reconhecer naquilo que você faz. Entender quais são os seus traços como individuo, perceber, analisar e enxergar que em cada coisa que você se dedica e realiza, consegue ver sua essência, seu eu.

Mas ao mesmo tempo em que devemos entender o sentido e significado daquilo que realizamos temos que nos vigiar e tomar cuidado para que não nos tornemos pessoas arrogantes, sem humildade e acharmos que sabemos de tudo.

“Reconhecer o desconhecimento sobre certas coisas é sinal de inteligência e um passo decisivo para a mudança”

Segundo Cortella, uma das coisas mais inteligentes que um homem e uma mulher podem saber é saber que não sabem.

Devemos entender quais são as nossas limitações em determinados momentos e assuntos, assumindo que não sabemos de tudo. E não saber de tudo é positivo, pois estamos em uma constante evolução como indivíduos.

Não finja que sabe de algo para manter uma postura de superioridade, como relatado no livro à expressão “não sei” é um sinal de absoluta inteligência.

É abordado também sobre o estoque de conhecimento e a educação continuada, onde as empresas podem ser as protagonistas no desenvolvimento de competências e habilidades com uma visão de formação de profissionais multiespecialistas, ou seja, preparar profissionais para estar de prontidão aos acontecimentos e desafios que surjam.

“Reconhecimento é fator decisivo para a permanência de um profissional na empresa”.

Muitas empresas pregam que a responsabilidade pelo desenvolvimento de carreira é do próprio colaborador, mas esse comportamento gera uma fragilidade com a relação do empregado x empresa. O colaborador acaba não tendo o sentimento de pertencimento daquela obra.

Quando uma empresa entende que o crescimento de seus negócios depende única e exclusivamente das pessoas, de cada membro de sua equipe que compõe o todo, trabalha em conjunto para que o desenvolvimento seja mútuo. E muitas vezes esse crescimento é investir no desenvolvimento de seus profissionais, angariando melhorias e novos negócios.

Qual é o colaborador ou individuo que não quer estar preparado para todos os desafios? Para isso a vida requer preparo, se não caímos na Sindrome de Rocky Balboa, que passa o filme inteiro apanhando e apenas 2 min se preparando. Para conquistar qualquer coisa, precisamos passar pelo processo, não dá para pular etapas ou pegar atalhos.

“Mudar é complicado, sem duvida, mas acomodar é perecer”

O medo é natural do ser humano e como diz Cortella, coragem não é a ausência do medo. Para conquistarmos algo é preciso esforço e coragem. Não tenha medo de enfrentar as mudanças necessárias e que serão benéficas no processo de construção da sua obra.

“Gestão Pessoal, gestão Vital”

Para finalizarmos essa primeira parte do livro, fica uma grande reflexão sobre a vida: antes de você ser profissional, um dos vários papéis dentro de uma mesma pessoa, você tem uma vida, uma família, sonhos…

E para que se consiga o equilíbrio de todos esses papéis é necessário aprender a fazer a gestão do todo e principalmente do tempo, se dedicar sem limites a “uma só obra” pode trazer consequências em vários aspectos de sua vida e acabar deixando outras “obras inacabadas”.

“De nada adianta um homem ganhar o mundo se ele perder sua alma (Mt 16,24).”

Como disse Cortella lá em 2007, temos que dar um basta antes que a natureza dê…

Estamos em um momento atípico em que jamais, com toda tecnologia e avanço científico, pensamos viver. Aproveite esse momento para desacelerar…

Às vezes seguimos um caminho, certos de que nos levará ao que almejamos. Porém, existem momentos que precisaremos fazer algumas correções de rotas e isso exigirá coragem. É fundamental se questionar caso tenha algum esgotamento mental se o caminho que escolheu trilhar de fato valerá a pena.

Tem saída? Claro; é só não desistir…

One thought to “Reflexões do Livro: Qual é a tua Obra de Mário Sérgio Cortella”

  1. Qual é minha a obra? será que é ser reconhecido, ou desenvolver capacidades habilidades e competencias de aprender sempre, encontrar-me naquilo que faço, saber aquilo que ainda não sei, ser humilde, aproveitar as oportunidades, enfrentar o futuro sem medo das mudança, distinguir o que é essencial do que é fundamental. Afinal qual é a minha e qual é a tua obra?

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